PRE-SP reúne especialistas para discutir como enfrentar as fake news nas eleições 2018

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Para aprofundar a discussão sobre o fenômeno das fake news – o que é e como enfrentá-lo durante o processo eleitoral –, a Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) reuniu nesta sexta-feira (6) profissionais da área de direito, comunicação e tecnologia para uma abordagem multidisciplinar do tema. O evento foi coordenado pelo procurador regional eleitoral substituto Pedro Barbosa Pereira Neto.

A mesa de abertura contou com a presença do procurador regional Eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Carlos Eduardo Cauduro Padin, de Aline Jurca, promotora do Ministério Público Estadual de São Paulo, e da pesquisadora Luciana Ramos, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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A primeira mesa do seminário foi dedicada ao debate sobre o conceito de fake news. Para Clarissa Gross, da Escola de Direito da FGV, as notícias fraudulentas produzidas para disseminar desinformação não são um fenômeno exclusivo da era pós-internet. A novidade, segundo ela, é que a web facilitou a disseminação do conteúdo e uma produção cada vez mais fragmentada. Quem consome esse conteúdo, agora, também o reproduz. A notícia falsa “ganhou alto-falante na era digital”, disse.

A exemplo de Clarissa Gross, o jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) Eugênio Bucci destacou a dimensão econômica da indústria de produção de fake news, impulsionada pelos cliques dos internautas. O desafio é combater “com todas as energias” a tentação do controle e da censura, advertiu Bucci. Para ele, o enfrentamento deve ser por meio da garantia do acesso à informação e da liberdade de expressão, com pluralidade de vozes.

Tecnologia se combate com mais tecnologia, defendeu o engenheiro de computação Leandro Nunes de Castro, professor da Universidade Mackenzie, que apontou as possibilidades de identificação de fake news a partir da análise semântica e sintática dos algoritmos. “Estamos falando de um problema de segurança cibernética e não só jurídica, a princípio”, considera.

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Na segunda mesa, o assunto em pauta foi sobre como lidar com as fake news. A jornalista Cristina Tardáguila falou sobre sua experiência à frente da Agência Lupa, especializada em checagem de fatos. Ela pondera que todos estão sujeitos a se deparar e até crer em uma notícia falsa e que a saída para enfrentar o problema é investir em educação, ensinando, por exemplo, as pessoas a verificar se determinado conteúdo é verdadeiro ou não.

Já Paula Bernadelli, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), acredita que não cabe à justiça eleitoral educar o eleitor. De acordo com ela, na perspectiva do direito eleitoral, o principal empecilho para julgar o que fazer para combater as fake news é a falta de uma legislação específica sobre o tema.

Em sua fala, Diogo Rais, professor do Mackenzie e pesquisador na área de internet e eleições, refletiu que as fake news são utilizadas sobretudo como uma ferramenta de retórica, retroalimentando pensamentos disseminados dentro de diferentes espectros políticos. Para ele, o enfrentamento do problema começa realmente quando cada um dos usuários se der conta de que é um curador de conteúdo. “Temos que entender que somos responsáveis pelo que escrevemos e compartilhamos nas redes sociais”, conclui.

O evento foi gravado e em breve estará disponível no canal da PRE-SP na TVMPF.

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Procurador regional eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, e o presidente do TRE-SP, Carlos Eduardo Cauduro Padin

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